Política

24 de Fevereiro de 2021 às 10:07:16h

Antônio Joaquim diz que foi vítima da vingança de Silval e Taques

Em sua primeira sessão no Tribunal de Contas do Estado (TCE) depois de 3 anos e 5 meses, o conselheiro Antônio Joaquim, voltou a dizer que foi vítima de um rancoroso e maldoso plano feito pelo ex-governador Silval Barbosa. O conselheiro afirmou nesta terça-feira (23) que Silval o teria incluído em sua delação premiada por conta dos relatórios feitos por ele, suspendendo licitações e mostrando que as obras da Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá não ficariam prontas.  "Há um sentimento de revolta pela certeza de que fui vítima de uma rancorosa e maldosa trama. Tenho essa convicção. De um lado pesou a vingança ardilosa do ex-governador Silval Barbosa contra minha atuação vigilante. Atentei em meus relatórios sobre as mentiras das obras da copa. Eu dizia, não vai ficar pronto, está tudo errado. A esse fato atribuo a minha citação na sua delação”, disse. 

Antônio Joaquim também acusou o ex-governador Pedro Taques de tê-lo tirado da disputa eleitoral de 2018, em um suposto "conluio" com o ex-procurador da República, Rodrigo Janot. "Pesou a mente raivosa do então governador Pedro Taques, que em conluio com o ex-colega, o ex-procurador geral da Republica Rodrigo Janot, para se livrar de um possível candidato e adversário em 2018. Na condição de procurador, ele atendeu o amigo Pedro Taques, pesou a mão e pediu meus dois afastamentos. Eu fui alvo de um ataque após um pré-sinalização de candidatura ao governo. Esse foi o crime que cometi, a ousadia de anunciar que sairia do TCE, de um cargo vitalício para concorrer ao cargo".

"A minha única satisfação é que naquela eleição que fui retirado do pleito a população lhe deu o seu devido tamanho, ele ficou em 4º lugar e perdeu para votos brancos e nulos. A meu respeito, não cometi nenhum crime, nenhuma ilegalidade. Sou absolutamente inocente”, completou. 

Antônio Joaquim também alegou inocência nos dois casos que geraram o seu afastamento. O da venda de uma fazenda em Nossa Senhora do Livramento (42 km ao sul de Cuiabá) para o empresário Wanderley Torres, da empresa Trimec, que tinha como sócio oculto o ex-governador Silval, e o da suposta cobrança de R$ 53 milhões em propina pelos conselheiros para aprovar as obras da Copa do Mundo de 2014 e do programa "MT Integrado". 

O conselheiro José Carlos Novelli também usou a palavra para afirmar que após o fim do afastamento, a tendência será o arquivamento das investigações, e que nenhuma prova foi encontrada contra ele e que o afastamento ficará no passado.    

Outro lado

O ex-governador Pedro Taques disse ao GD que nunca foi amigo de Rodrigo Janot, e que na mesma delação, o ex-procurador geral da República o mandou investigá-lo "sem qualquer prova também, o que no meu caso já foi arquivado pelo STF".   

"Sobre o afastamento do senhor Antonio Joaquim, quem o fez foi o Ministro Fux, do STF, depois mantido pelo STJ. E já processo o senhor Antônio Joaquim em razão das ofensas à minha honra", completa. Pedro Taques também afirmou que na condição de advogado, entende que delação sem provas só serve para antecipar, "de forma inconstitucional, a condenação,  que não existirá, justamente por falta dessas provas, inclusive já fui vítima disso".

"Como ser humano, entendo o sentimento desse cidadão. Mas, nem por isso, o acusei de absolutamente nada, essa é a nossa diferença, e a Justiça mostrará", concluiu.

Fonte: Gazeta Digital