Política

23 de Junho de 2019 às 12:18:09h

PSB pede cassação de deputado de MT que tentou agredir "colega" na Câmara

O deputado federal José Medeiros (Podemos), da bancada do presidente Jair Bolsonaro (PSL), foi acusado pelo Partido Socialista do Brasil (PSB) de quebra de decoro parlamentar por ter chamado seu colega Eliel Machado (PSB) de “vagabundo” e pediu a abertura de um processo na Câmara Federal para que o mato-grossense perca o mandato.

A representação contra o mato-grossense foi protocolada na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara na terça-feira (18). Tudo começou em abril, quando os dois se envolveram numa briga em plenário, durante a fala de Machado interrompida pelo mato-grossense aos gritos, em uma das sessões em que a pauta era a Reforma da Previdência. Além de xingar, ele também  empurrou e tomou o microfone do oposicionista do Estado do Paraná.

Presidente do Conselho de Ética, Juscelino Filho (DEM) convocou reunião do colegiado para as 14h30 da próxima quarta-feira (26) para discutir a abertura do processo disciplinar parlamentar. “Informo que está convocada reunião do colegiado em plenário a definira instauração do processo e sorteio da lista tríplice para escolha do relator”, assentiu o democrata.

“Esclareço também que, em conformidade com o art. 10 do Regulamento do Conselho Ética e Decoro Parlamentar, ao representado é assegurado amplo direito de defesa, podendo acompanhar o processo em todos os seus termos e atos, pessoalmente ou por intermédio de procurador", continuou.

Se condenado, o parlamento passará, então, a definir quais penalidades poderão ser sugeridas  pelos relatores a serem votadas em plenário. A perda do mandato é mais grave destas.

José Medeiros se descontrolou quando Eliel Machado citava reportagem do jornal Folha de São Paulo que afirma ter o Governo Federal prometido R$ 40 milhões em emendas para cada membro da Casa de Leis que votasse a favor de seus interesses.

“O governo ofertou R$ 40 milhões para comprar votos, o governo está ofertando cargos. O governo está acertando os deputados”, falava Machado, em discurso gravado pela TV Câmara Federal, quando Medeiros é ouvido gritando “você, vagabundo, olha aqui, isso aqui você não vai fazer aqui não, rapaz”; ao que o paranaense continuou: “essa conversa aconteceu na reunião na casa do presidente”; já descontrolado, Medeiros enfim aparece no vídeo tomando o microfone e bradando “não nos meça pela sua régua, rapaz, não nos meça pela sua régua”. Machado tenta continuar e consegue dizer: “porque estão se vendendo”.

Em seguida, uma turma começa um empurra-empurra.

Outro representante mato-grossense de Bolsonaro aparece no meio da confusão, o deputado Nelson Barbudo, e finalmente a turba consegue interromper a fala, aos empurrões e gritos de “tira dele, me dá aqui”.

A Folha sustenta que deputados de seis partidos confirmaram a proposta do governo formulada pelo  ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM) para  liberação de recursos referentes às emendas impositivas. A mesma denúncia foi feita pela deputada Rosaneide (PT), só que dessa vez a “oferta”, afirma a petista, foi oferecida por outro ministro, o da Educação, Abraham Weintraub, de um valor um pouco menor, R$ 10 milhões, durante evento aqui em Mato Grosso sobre contingenciamento de recursos do Ministério da Educação (MEC) às universidades e institutos federais.

De acordo com ela, Lorenzoni, Weintraub e o ministro da Economia, Paulo Guedes, também ofereciam R$ 15 milhões a cada senador que votasse a favor da PEC 06/2019, o nome técnico da Reforma da Previdência em tramitação no Congresso.

Rosa Neide lidera um grupo de colegas parlamentares, formado por Paulo Teixeira (PT), Alencar Santana (PT), Bira do Pindaré (PSB) e Luiza Erundina (PSOL), que apresentou um requerimento de convocação aos ministros para esclarecimento das acusações. Não se tem notícia do desdobramento desse pedido.

Fonte: Folha Max / Cuiabá