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13 de Março de 2018 às 07:32:46h

Filho de Silval obtém documentos apreendidos pela Delegacia Fazendária

Rodrigo Barbosa integrou esquema de corrupção liderado pelo pai e firmou colaboração premiada

O médico Rodrigo da Cunha Barbosa, filho do ex-governador Silval Barbosa (sem partido), pediu a juíza da Sétima Vara Criminal, Selma Rosane Santos Arruda, a “devolução” de documentos pessoais apreendidos durante a deflagração da segunda fase da operação “Sodoma”, em 2016. A magistrada, no entanto, disse que os títulos que ainda não foram devolvidos estão “na delegacia”, onde poderão ser retirados. Com isso a magistrada alegou perda de objeto em sua decisão, dada na última terça-feira (6).

“Trata-se de requerimento de restituição dos documentos, formulado pelo requerente Rodrigo Cunha Barbosa. O Ministério Público manifestou-se que parte dos documentos requisitados já foram entregues, e os demais documentos já foram devidamente periciados e encontram-se à disposição para entrega. Desta forma, declaro a perda do objeto do pedido de restituição de bens, tendo em vista que os documentos encontram-se a disposição do requerente para retirada na delegacia”, disse a juíza em sua sentença.

De acordo com a denúncia, Rodrigo da Cunha Barbosa é acusado de “identificar” agentes que poderiam ser “fonte de receita” no esquema de concessão de incentivos fiscais em troca do pagamento de propinas de empresários. Ele ainda teria recebido R$ 528 mil pela sua ajuda nas fraudes.

O médico é apontado ainda pela promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco como mentor intelectual da prática de “extorsão” de empresários em troca da manutenção de contratos com o Poder Executivo. Ele também sugeriu a entrada do ex-Secretário de Estado de Administração (SAD-MT, atual Seges-MT), Pedro Elias, no esquema. Barbosa teria recebido ainda propina de R$ 600 mil do proprietário da Web Tech Softwares e Serviços, Júlio Tsujii Minoru, como forma de “garantir” um contrato da empresa com o Governo.

Rodrigo da Cunha Barbosa disse também ao Ministério Público Federal (MPF) que repassou R$ 100 mil aos advogados do ex-Chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf. A declaração foi dada a procuradora da república Vanessa Scarmagnani no dia 28 de julho de 2017.

Rodrigo relatou que o pai sofria “enorme pressão” do ex-Chefe da Casa Civil, que exigia do ex-governador o dinheiro para pagar seus advogados. Ambos, Silval  e Nadaf, chegaram a ser presos em 2015 durante a deflagração da operação “Sodoma”. O dinheiro deveria ser entregue ao advogado Antônio Horácio – juiz do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) aposentado compulsoriamente em 2010 acusado de desviar recursos do Poder Judiciário Estadual em favor de uma cooperativa de crédito ligada à maçonaria.

“Meu pai pediu que eu procurasse o advogado Antônio Horácio e levasse até ele a quantia de R$ 100.000,00. Eu decidi realizar o pagamento em espécie para não deixar rastro de que  meu pai estivesse ajudando a pagar a defesa de Nadaf”. 

Fonte: FolhaMax