Cultura

09 de Abril de 2017 às 09:19:22h

Cuiabanos criam canal de humor e fazem sucesso na internet

Artistas buscam divulgar o teatro nas mídias digitais; tema foge da comédia regional

Deixando de lado o famoso humor regional e o sotaque “cuiabanês” usado geralmente pela maioria dos humoristas locais, um grupo de artistas de Cuiabá decidiu se juntar e inovar. Eles criaram um canal de humor no YouTube, chamado “Não Convém”.

Fazendo piadas de situações inconvenientes, em pouco tempo o canal já está fazendo sucesso na internet. Há apenas quatro meses no ar, já conseguiu, com um de seus vídeos, mais de 100 mil acessos.

Com uma resposta rápida e inesperada dos internautas, os artistas resolveram também migrar para o Facebook. Eles criaram uma página, que está com quase oito mil curtidas.

O canal foi criado em dezembro de 2016 e teve como cofundadores os artistas cuiabanos Eduardo Butakka e Thyago Mourão. Eles foram os responsáveis por "vender" a ideia aos demais colegas. Hoje o “Não Convém” é formado 14 artistas.

Reprodução

nao convem

O primeiro vídeo publicado na internet ultrapassou a faixa dos 100 mil acessos

O diferencial da comédia, segundo os artistas, está na qualidade do conteúdo. Eles contam que procuraram se inspirar nos canais de grande sucesso como o conhecido “Porta dos Fundos”.

O MidiaNews conversou nesta semana com parte do elenco. Segundo eles, a ideia surgiu após notarem que o público do teatro estava migrando para a internet.

“A gente sempre usou a internet para divulgar nosso trabalho, principalmente no Facebook, mas a ‘onda mudou’. Talvez agora a gente precise estar mais na internet para depois chamar para o teatro, e não ao contrário”, explicou o ator e publicitário Eduardo Butakka.

De acordo com Butakka, todo o elenco veio do teatro e todos sentiram a mesma necessidade, que era estar nas mídias digitais e fomentar o segmento das artes cênicas.

“A gente começou a perceber que o público do teatro, o mesmo da comédia, estava migrando para internet. Então estava cada vez mais estava difícil chamar as pessoas para o teatro. Porém sabíamos que existe um público e uma demanda para o teatro. A prova disso é quando vêm espetáculos de fora, ou há show de ‘youtubers’ no teatro. Simplesmente lotam. Então a gente percebeu que o processo estava sendo inverso e decidimos migrar também”, disse Eduardo Butakka.

Conteúdo de qualidade

Marcus Mesquita/MidiaNews

Canal Não Convém

Fazendo piadas de situações inconvenientes, em pouco tempo o canal já está fazendo sucesso na internet

Conforme Thyago Mourão, a ideia do canal não é se aprofundar no regionalismo, mas sim fazer vídeos de situações inconvenientes que as pessoas passam no dia a dia.

“Nós quisemos realmente romper essa barreira do regionalismo e produzir um conteúdo nacional, quem sabe até internacional. Que seja um tema geral, porque o cotidiano acontece com todo mundo, e trabalhar nisso é muito interessante”.

“A gente descobriu que a inconveniência é abrangente. A liberdade do nosso conteúdo está nisso: poder falar tudo que você quiser”, disse, referindo-se ao nome do canal "Não Convém".

Para conseguir que o sonho saísse do papel, os colegas decidiram ir atrás de parceiros. Foi quando chegaram até a produtora “Môleira Filmes”, que comprou a ideia sem pensar duas vezes.

“Compromisso apenas com a boa piada”

Apesar do retorno do trabalho ter sido rápido, o grupo ressalta que todos concordam em participar do projeto sem nenhum fim lucrativo, ao menos no primeiro momento.

‘Todos concordaram em estar aqui apenas pelo projeto, na parceira que tem o objetivo de produzir um material de qualidade, pensando em um bom roteiro, em uma boa interpretação, uma boa maquiagem, um bom figurino, uma boa fotografia, uma boa edição", disse o artista.

“Não esperávamos isso [sucesso imediato]. A nossa única pretensão em curto prazo era fazer vídeos de qualidade e isso a gente conseguiu. Após o primeiro vídeo, vimos que estávamos no caminho certo e cada vez mais as pessoas curtiram nosso conteúdo e ficaram fazendo várias perguntas – o que para mim acho mais interessante”.

Os vídeos de pouco mais de um minuto, que eram publicados antes quinzenalmente, após a grande repercussão, serão publicados semanalmente.

Reprodução

whatsap

"Nós temos compromisso apenas com a boa piada e com o bom censo”, diz Eduardo Butakka

“Chegamos nesse formato de hoje, que são vídeos curtos e rápidos, com esquetes que vão desde o humor cotidiano até uma crítica social a um humor mais engajado. Por isso o nome ‘não Convém’, porque não queremos ter compromisso com nada, nós temos compromisso apenas com a boa piada e com o bom senso”, ressaltou Butakka.

Em busca de patrocinadores

Apesar do apoio da produtora, os atores ressaltam que estão sem ajuda de patrocinadores. E, por enquanto, se dividem nas tarefas de criar roteiros, figurinos e maquiagens, entre outros.

“Nós fomos atrás de quem domina as linguagens do audiovisual. Foi quando conhecemos a Môleira, que está nos dando esse suporte”.

“Agora a gente está na fase de fechar o projeto com um público-alvo definido. Com a linguagem, os portfólios e vídeos que a gente já produziu, estamos atrás de parceiros e patrocinadores. Até então, o ‘Não Convém’ é totalmente independente”, contou Eduardo.

Segundo a produtora executiva da Môleira, Simoni Matsumura, o elenco conta apenas com apoiadores que fornecem maquiagens e figurinos, por exemplo.

“Temos apoiadores, que se dispõem a emprestar as coisas, como figurino,  sua empresa, ou a casa, mas não é nada rentável, ou que pague a equipe. O nosso pagamento é o amor de ver o nosso vídeo pronto e entregar um conteúdo de qualidade, que é com o que a gente trabalha hoje. O 'Não Convém' não é só um canal de humor qualquer. Nós queremos que ele seja algo real, que as pessoas consumam, aí sim, depois a gente vai tentar vender a ideia”.

“Nós, da produtora Môleira, ajudamos na parte do audiovisual e eles entram com o recurso deles de teatro e o conhecimento de pessoas, trazem os personagens e os roteiros. Então é uma boa parceria”, explicou Simone.

Quem tiver interesse em conhecer o trabalho dos artistas cuiabanos pode se inscrever no canal do You Tube ou acompanhar pela página do grupo no Facebook.

Fonte: MídiaNews

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